Victor Niskier (Foto: Divulgação)

Victor Niskier: ‘a minha melhor companhia sou eu’

Victor Niskier é uma figura queridíssima na cena carioca. O carisma e o frescor que empresta à arquitetura fazem dele um profissional requisitado em eventos de prestígio no segmento, como a Casa Cor, e, claro, para inúmeros projetos por todo o país. Protagonista das redes sociais, costuma levar aos seguidores conhecimento sobre a história da arquitetura, estilos e aplicações, assim como os bastidores de seus empreendimentos e sua vida pessoal. Para festejar as  três décadas recém-completadas de Niskier, o Deloox traz um bate-papo com ele sobre as curiosidades de seu mundo particular, estilo de vida e detalhes de seus mais recentes trabalhos, desenvolvidos durante a quarentena.

Victor Niskier (Foto: Divulgação)

A Arqnisk, seu escritório de arquitetura, acaba de completar sete anos. Como você observa a mudança no setor de arquitetura desde o momento em que começou até os dias de hoje?

A maior mudança que vejo no setor da arquitetura é que, nos últimos anos, as pessoas estão cada vez mais autênticas e buscam por projetos que reflitam o jeito delas. Elas não buscam mais por um projeto já idealizado. Ter uma “casa de revista” foi um sonho que ficou entranhado na mente das pessoas por muitas décadas. Com a internet, você consegue ver o dia a dia das pessoas, a casa delas, e saber o tipo de arquitetura que funciona para o estilo delas. Porém, esse estilo pode não funcionar para você.

O mercado paulista abraçou o seu trabalho. Como é esse seu “toque carioca”, que conquistou o público por lá?

São Paulo, por si só, é um mundo, um oásis de oportunidades, mas é extremamente urbano, industrializado, com poucos refúgios. Na minha visão, a arquitetura carioca se dispõe a criar um #jeitodemorarcarioca, que, inclusive, a Casa Cor Rio frisa bastante: “um estilo despojado, que gera conforto ao usuário”. A imponência é passada por materiais que abraçam, ao invés de brilhar. É aquele toque de linho que deixa a roupa sofisticada – porém despojada – na moda, sabe? É isso que faz sucesso. Minhas precursoras, como Paola Ribeiro e Paula Neder, também têm essa pitada do despojado chique. Os que trabalham com criação e nasceram no balneário carioca têm essa pegada.

Victor Niskier (Foto: Divulgação)

Como foi o crescimento do seu escritório durante a pandemia? 

A Arqnisk Rio operava dentro do meu apartamento, um grande loft de quatro quartos, que foi transformado em home office e suíte. O espaço físico era de aproximadamente 30 metros quadrados, com três colaboradores fixos no escritório, os volantes, os temporários nas obras e todas as demais equipes que coordenamos.

Em 2020, vi a necessidade de locação de um pequeno espaço físico também nos Jardins, como apoio para os materiais de projetos em São Paulo. Também tirei de casa o escritório do Rio e aproveitei a baixa no preço dos aluguéis para a locação de um espaço comercial na Ataulfo de Paiva com o dobro do espaço que tinha na minha casa. Agora tenho sete colaboradores fixos no staff.

Como foi sair da casa dos pais, tocar a vida sozinho e encontrar a sua própria maneira de ser feliz?

Na minha família há amor e respeito por todas as minhas decisões. Hoje em dia, meus pais admiram meu esforço profissional e pessoal para me tornar quem eu me tornei. Tenho personalidade forte, minha preferência sexual se tornou uma questão de fórum tão íntimo quanto se eu fosse hétero e tivesse preferência por loiras ou morenas. Fiz ser da minha conta.

Victor Niskier (Foto: Divulgação)

Estou realmente bem profissionalmente e socialmente. Já tive medo dos 30, obviamente, com a imaturidade dos 20. Meu medo era não alcançar meus objetivos pessoais e profissionais. Enraizado em quem teve uma criação tradicional e tem pais casados e felizes há mais de 40 anos, é natural que um desses objetivos seja a busca de alguém para estar ao meu lado. Com isso, podemos até nos forçar a enxergar conexões perfeitas onde não há. Compreendi que a melhor companhia para os meus 30 anos sou eu mesmo. Percebendo isso, as pessoas magicamente percebem também (risos). Na vida, acho que não há espaço para namoros em 2021. Um casamento, então, dificilmente visualizo.

O que você faz para conciliar o seu trabalho com a agenda social e ainda tirar um tempo para colocar sua cabeça no lugar?

Em tempos normais, acaba sendo um pouco difícil respeitar os limites: eventos demais, projetos demais e rotina de trabalho intensa. Mas, acredito que, atualmente, o local que mais uso para colocar minha cabeça no lugar é minha própria casa.

O que você gosta de fazer pelo Rio nas horas livres? Quais são os seus lugares favoritos na cidade?

Adoro o parque Lage. Acho um dos lugares mais lindos a que já fui no mundo, um paraíso urbano. Um day off no restaurante Pérgula do Copa ou no hotel Fasano traz o melhor do glamour hoteleiro carioca e me faz sentir orgulho de recepcionar tão bem as pessoas de fora em nossos cartões postais.

Na região central, a praça Mauá me fascina. Meu museu favorito é o MAR, pois sou fã do retrofit. O tapete voador e a volumetria contemporânea, ao lado da eclética proposta de Bernardes e Jacobsen, me encantam ainda mais do que o Museu do Amanhã, de Calatrava.

Quais características você acha que fazem você ser o Victor Niskier que todo mundo adora?

Calma! Unânime não sou, mas felizmente sou querido – acredito – pela maioria que me conhece. Meu pai, Dr. Aroldo, me ensinou certas regras de cordialidade e convívio que levo comigo. Recentemente, o Dudu Garcia, artista, disse que eu ‘prestava atenção nas pessoas’ quando conversava com elas. Acho pré-requisito, não qualidade. Assim como, por exemplo, levar a pessoa em casa e aguardar ela entrar no portão, não interessa quantas quadras depois ela more. Outro ponto: não deixar de prestigiar os amigos.

Victor Niskier (Foto: Divulgação)

Além dos diversos projetos que toca ao longo do ano, Victor Niskier marca presença em mais uma edição da Casa Cor Rio. O espaço #pergolando por Amoedo, criado por ele, é um complexo de 500 m² projetado para ser, ao mesmo tempo, a entrada e a saída da mostra. Desta generosa área, 250 m² são edificações construídas do zero com materiais de obra e acabamentos fornecidos pela marca Amoedo, rodeadas de jardins com espécies nativas da Mata Atlântica. O piso em porcelanato de aspecto cimentício e formato grande, por exemplo, pretende imprimir uma atmosfera contemporânea ao conjunto e, ao mesmo tempo, dialogar com o granito original da casa.

Como surgiu a ideia de fazer o projeto #pergolando por Amoedo?

Meu grande motim foi organizar os fluxos de entrada e saída dos visitantes. São pérgolas em paralelo que servem para a higienização das mãos, recepção, retrospectiva dos últimos 30 anos e, por fim, permanência e espera dos visitantes.

Este projeto foi uma homenagem aos 30 anos da mostra carioca, levada com maestria pelas Patrícias Mayer e Quentel, e ao casal de proprietários do palacete onde o evento acontece neste ano: os Brando Barbosa, que, por seis décadas, viveram uma linda história de amor. Nas cortinas, sublimei as cartas trocadas pelo casal.

Foto: Divulgação

Quais foram os desafios de elaborar um projeto na Casa Cor durante a pandemia?

Os desafios foram muitos, mas o principal foi o zelo por todas as equipes de prestadores de serviço presentes e, agora, os visitantes. O segmento de arquitetura foi um dos poucos que aqueceu ao longo do momento da pandemia, logo é natural que a Casa Cor precisasse seguir protocolos e operar com agendamento dos visitantes para fazer mais uma edição de sucesso.

A Estante Colmeia já virou uma marca sua. Como foi recriá-la para a Casacor?

A Estante Colmeia, de fato, se tornou uma marca dos meus projetos. Dessa vez, ela aparece em uma versão monumental, em pedra, em que estão expostas as 29 capas das edições passadas da Casacor. Foi a forma que encontrei de homenagear o evento.

Foto: Divulgação

Niskier também é sócio do gastrobar Voulez Vous, aberto em 2020 durante a pandemia. Para saber tudo sobre essa empreitada, não perca a matéria abaixo!

Victor Niskier e Juvenal Müller trazem frescor dos balneários franceses para o Leblon

1 thought on “Victor Niskier: ‘a minha melhor companhia sou eu’

  1. Mercedes masque disse:

    Adorei a reportagem !!!o trabalho dele eu amo muito bom gosto e com novas ideias simples e chique!!!! Como pessoa seriam tantas coisas a diz desde ser humano que vou definir em só uma incomparável difícil encontrar hoje em dia pessoas gente como ele!!!!! Adoro 👍👍👍

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