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Especialista alerta sobre os cuidados com as vacinas durante a gravidez

As vacinas para  a prevenção da Covid-19 já estão chegando ao Brasil, mas, todos sabem que este não é o momento de relaxar e devemos manter as normas sanitárias estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde. As doses estão sendo aplicadas aos poucos na população, de acordo com os grupos mais vulneráveis à infecção.
Especialistas em infectologia afirmam que mulheres grávidas vão receber a imunização em um estágio mais avançado da campanha. Inclusive, ainda não existem dados que comprovem como a vacina para Covid-19 pode afetar mulheres grávidas, já que elas ainda não foram incluídas nos ensaios clínicos das empresas farmacêuticas.

É importante ressaltar que, enquanto o calendário de imunização não começa e os efeitos das vacinas nas grávidas e em seus bebês ainda são desconhecidos, outras vacinas não podem ser deixadas de lado. De acordo com dados da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), menos de 50% das gestantes receberam as doses necessárias da Tríplice Bacteriana Acelular do Tipo Adulto, contra Difteria, Tétano e Coqueluche, dT (Difteria e Tétano), Hepatite B e Influenza (gripe).

As vacinas mencionadas devem ser aplicadas durante a gestação, para que os anticorpos sejam transmitidos para o bebê ainda na barriga e, desta forma, garantir a imunidade da criança nos primeiros meses de vida.

Para esclarecer o assunto, falamos com o ginecologista Cássio Sartório, do Vida-Centro de Fertilidade. Confira.

Quais riscos a falta da vacinação preventiva pode trazer para a mãe e para os bebês?

Vacinas são medicações que previnem contra doenças que, muitas vezes, são graves. O tétano, por exemplo, tem uma taxa de mortalidade de 33%, enquanto a Covid-19 tem 3,72%. A Hepatite B aumenta em 140 vezes o risco do desenvolvimento de câncer de fígado em um período de 40 anos. A gripe, principalmente o vírus H1N1, possui mortalidade em torno de 1%.

As gestantes apresentam alterações em seu sistema imunológico, para que este não rejeite o bebê, o que as tornam mais suscetíveis a algumas doenças, como H1N1, já que elas fazem parte do grupo de risco.

A vacina de Tétano deve ser tomada por todo adulto, de 10 em 10 anos, mas muitas vezes esse cronograma é negligenciado por falta de conhecimento. A Hepatite B faz parte do calendário de vacinação infantil e isso melhorou muito sua adesão. A de Influenza deve ser tomada todo ano, pois a vacina muda para incluir os vírus da gripe que estão mais circulando naquele período.

Qual o papel da amamentação exclusiva durante os primeiros meses de vida do bebê?

Os bebês possuem o sistema imunológico imaturo e, muito dos anticorpos são adquiridos da mãe, seja por passagem através da placenta ou pela amamentação. Ou seja, enquanto o bebê não produz seus anticorpos, os da mãe que estão circulando nele o protege das doenças. Nos seis primeiros meses de vida do bebê, ele é dependente dos anticorpos maternos para mantê-lo protegido. Assim, fica clara a importância da vacinação materna.

Cássio Sartório é ginecologista e especialista em reprodução humana assistida do Vida – Centro de Fertilidade. (Foto: Divulgação)

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