Especialista alerta sobre a importância dos exames de rotina

Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) revelam que, em decorrência da pandemia do coronavírus, houve uma reducação alarmante na demanda por avaliações diagnósticas fundamentais para a prevenção e controle de doenças.
Um exemplo são as mamografias, cuja procura teve uma queda de 46,4%, em comparação aos meses de março a agosto de 2019. Já o IBOPE aponta que o setor previa a relaização de mais de 480 milhões de exames no primeiro semestre de 2020, mas foram realizados somente 353 milhões, o equivalente a uma queda geral de mais de 36%, que é gravíssimo para a saúde da população.
Em termos de avaliação médica, os testes para detectar se o paciente está contaminado pelo coronavírus é de suma importância em tempos de pandemia. Porém, muitos exames de rotina, que fazem parte do check up anual, foram deixados de lado, o que não é nada indicado, segundo especialistas.
Para ressaltar a importância dos exames de rotina, falamos com o Dr. Felipe Billela Pedra, diretor-médico da Clínica Villela Pedras.
Dr. Felipe Villela Pedras (Foto: Divulgação)

Qual a importância do checkup anual para combater doenças ou controlar aquelas já instaladas, mesmo em tempos de pandemia?

É fundamental que pessoas com doenças crônicas, assim como pacientes cardiopatas e oncológicos, não deixem de fazer seus exames periódicos para monitoramento de suas doenças.

Uma pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Oncologia junto aos seus sócios mostrou que 74% dos oncologistas relataram interrupção ou adiamento por mais de um mês do tratamento de seus pacientes durante da pandemia pelo COVID-19.

Como resultado, estamos vendo retardo no diagnóstico e tratamento, o que impacta diretamente no sucesso do combate ao câncer. No contexto da doença cardiovascular, a principal causa de morte no mundo, sendo responsável por cerca de 18 milhões de mortes anualmente, o resultado do tratamento também está diretamente ligado ao diagnóstico precoce e início do tratamento efetivo.

Estudo recente da Agência Internacional de Energia Atômica envolvendo 909 Hospitais em 108 países mostrou uma redução de 64% no número de exames diagnósticos solicitados para doenças do coração durante os dois primeiros meses da pandemia (em março e abril de 2020). As consequências desse não diagnóstico gera preocupação e será percebida futuramente.

O que foi percebido de diminuição destes exames na pandemia? Quais foram os grupos de pacientes mais prejudicados?

Houve redução importante no número de exames diagnósticos realizados para pacientes oncológicos e, principalmente, cardiológicos. Nosso maior impacto ocorreu sobre exames cardiológicos no mês de abril/20, onde percebemos redução de cerca de 70-80% no número de exames. Agora, com a volta parcial dos exames, notamos um maior percentual de exames alterados.

As suas clínicas têm seguido os protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS) em seus ambientes? É seguro fazer esse acompanhamento e estar em dia com os exames de rotina e tratamentos?

Fico feliz de dizer que não tivemos problemas em adotar todas as medidas de precaução cabíveis, bem como fornecer todos os EPIs necessários para colaboradores e pacientes. Por estar fora de ambiente hospitalar, conseguimos evitar ao máximo a circulação de pacientes infectados por nossas unidades. Medidas de controle que se iniciam na marcação dos exames, gestores preocupados em fornecer orientação e material necessário, bem como testagem inteligente dos nossos funcionários, foram fundamentais para que criássemos um ambiente seguro para realização de exames tão importantes.

Dr. Felipe Villela Pedras é diretor-médico da Clínica Villela Pedras e especialista em medicina nuclear.

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