João Quintanilha - Pais e Filhos - Crédito Divulgação.

Chefs desaceleram para curtir o Dia dos Pais com os filhos

Os chefs Pedro Attayde e João Quintanilha, pais solteiros, queriam mais tempo para estar com os filhos. Ao mesmo tempo, sabiam que a comida seria o seu negócio principal e que outra opção além da gastronomia estaria fora de questão. Cansados e decididos a estar mais presentes na vida dos filhos, surgiu a ideia. Junto a publicitária Luiza de Andrade, se uniram, em 2019, para lançar a Po’boys Soul Food no Rio de Janeiro. “Sempre viajei pros EUA e sou apaixonado pela cozinha norte americana raiz, aquela do sul. Me encanta a complexidade dos sabores e a combinação das culturas francesa, africana e americana. Quando surgiu a oportunidade, João curtiu na hora! Fizemos testes e degustações. As pessoas amaram e, então, fomos convidados para participar da Feira Tiradentes Cultural. Montamos a operação em uma semana, a Lu fez a logo e lá fomos nós. Não paramos mais até a chegada da pandemia e o cancelamento do eventos”, conta Pedro, pai de Joaquim, hoje com 10 anos.

Pedro Attayde – Pais e Filhos – Crédito Divulgação.

Em 2020, após o sucesso nas participações dos eventos gastronômicos cariocas, os sócios investiram em uma dark kitchen e iniciaram o delivery da marca. “Vimos que nesse formato de trabalho também conseguiríamos manter os meninos por perto, que sempre foi nossa prioridade. Outra opção nossa foi não trabalhar no Dia dos Pais, valorizamos muito estar em família”, afirma João, pai de Enzo, 7.

Após estudos para aprofundar os conhecimentos da cozinha sulista e entender as principais diferenças entre a comida Cajun e Creole, o trio buscou temperos e insumos que traduzissem a experiência da pulsante culinária “soul food”. “Há uma cultura própria com receitas características do povo. E é a alma da Po’boys Soul Food. Adaptamos a realidade deles à nossa, como a leve diminuição de pimenta nas receitas. Nos preparos, usamos charcutaria artesanal, feita por nós, para garantir a alta qualidade”, explica Pedro.

Em um papo rápido, fizemos algumas perguntas para o chef Pedro Attayde. Rotina, relação com o filho, filosofia de vida e empreender então entre elas. Confira abaixo.

Como foi a decisão de empreender?

Sempre tivemos o sonho de empreender, que acho que é natural da gastronomia. Todo chef quer ter seu próprio espaço de criação. Como somos pais solos, queríamos também um negócio que trabalhássemos aos fins de semana, onde pudéssemos trazer nossos filhos para o nosso universo, e também estar disponíveis para eles durante a semana. Assim começamos com o PO’Boys nas feiras, aos fins de semana.

Essa mudança aproximou vocês dos meninos? Como essa transição foi benéfica para a relação entre pai e filho?

O Joaquim sempre esteve acostumado comigo trabalhando muito, e eu sentia falta de estar mais próximo. Toda essa mudança foi incrível para nossa relação, porque o delivery nos dá essa liberdade. Hoje eu consigo buscá-lo na escola, ajudá-lo nos trabalhos de casa e acompanhar o dia a dia.

E na gastronomia? Cozinhar é um programa que curtem fazer juntos?

A gastronomia está na minha vida desde sempre. Eu comecei a cozinhar desde muito cedo e quis fazer o mesmo com ele. Cozinhamos juntos desde que ele tinha 2 anos e meio, e, hoje, ele já sabe cozinhar várias receitinhas. Ele adora participar e por várias vezes nos ajuda, inclusive, na charcutaria. A gastronomia, o ato de comer é muito importante para nossa família. Todas as nossas reuniões envolvem comida e pratos especiais. Além disso, ele come de tudo. Ele sempre esteve disposto a provar tudo e hoje ele já consegue perceber os sabores. Esses dias fomos à uma degustação de azeite e ele soube distinguir todos, foi incrível.

Pedro Attayde – Pais e Filhos – Crédito: Divulgação.

O que estilo Soul Food significa hoje para vocês?

Soul Food é minha vida! A comida rústica faz parte da minha vida desde sempre, a forma de preparar os insumos, a entrega, os modos de preparo que vão passando de geração em geração. Super tradicional, muito rica em cultura.

Hoje, olhando para trás, trabalhar por anos em grandes restaurantes foi fundamental para a estruturação do PO’Boys?

Foi fundamental. Sem experiência não seríamos nada. Gestão, técnicas, valores, princípios… tudo que temos hoje é fruto da nossa experiência por lugares onde passamos.

Após a pandemia, abrir um espaço físico está nos planos de vocês?

Pensamos nisso todos os dias, desde sempre está em nossos planos. Um PO’Boys presencial, outro com a nossa charcutaria. Somos apaixonados pelo que fazemos e queremos abrir vários. Sonhamos sobre como seria nosso local. Com certeza é uma ideia que já está no forno.

MENU PO’BOYS

No deleite, sabores como a Muffaletta (R$32,90) – versão do clássico de Nova Orleans com presunto e mortadela artesanais da casa, mussarela e provolone derretidos, salame e saladinha de azeitonas com pimentões e alcaparras, estilo tapenade. Outra delícia é o Cajun Cheesesteak (R$31,90) – leitura do clássico Cheesesteak da Philadelphia com tiras de porco com cajun spice, cobertas com molho de cheddar próprio e cebola grelhada. Há também o Chow Chowsage (R$30,90) – linguiça artesanal da casa, alface, tomate chow chow de tomate verde, que lembra um picles bem picadinho e mais agridoce. E, ainda, o Freakin Chicken (R$30,90) – frango frito, empanado em farinha secreta, barbecue picante da casa, maionese de gengibre, picles de repolho roxo, tiras de bacon e alface. Para os vegetarianos, Veggie Bahn Mi (R$26,90) – couve-flor tostada no azeite de curry, pasta de tomate assado, pepino fresco, picles artesanal de cenoura, maionese de chilli e coentro fresco.

Batartare – Po’boys Soul Food – Crédito Thiago Lamenha.

Para acompanhar, batata de verdade, assadas e fritas. Nada daquelas congeladas. A Batartare (R$11 – 300g) é rústica e recebe sal temperado e o molho tartare da casa. Já a Fancy Fries são finalizadas com mussarela maçaricada, molho cheddar, filé suíno com caju spice, cebolinha e o nosso creole mustard sauce (R$25 – 600g). Entre os molhos da casa, o BBQ Fire in the hole – barbecue bem picante -, o Chilli Mayo – maionese de pimentas com mix de especiarias – , o Creole Mustard Sauce – feito com mostarda creole, levemente picante e adocicado – , o Smoked Mayo – maionese defumada – , o Tartare Sauce – versão do clássico molho tártaro com maionese, mix de especiarias, mostarda, picles de cenoura. E, ainda, a Mostarda Escura (molhos à parte R$2,00 – 50ml).

Quem deseja mais sugestões para complementar a experiência, o Freakin Nuggets (R$20 – 12 unidades) é temperado com cajun spice, empanados em farinha secreta e o comensal pode escolher dois tipos de molhos da casa para mergulhar a delícia. Há também o Mac’N Bites (R$24 – 6 unidades), bolinhos de Mac N’Cheese recheados com carne cozida lentamente e desfiada, servidos com maionese defumada. Se preferir, o Tizer Combo proporciona degustação dos três – meia porção cada – com valor único (R$34).

Mac N Bites – Po’boys Soul Food – Crédito: Thiago Lamenha.

HISTÓRIA – SOUL FOOD: PO’BOYS

O legado culinário, formado desde a colonização com a combinação das culturas francesa, africana e americana, desenvolveu surpreendentes receitas do estilo “soul food”. A expressão, que surgiu nos anos 60 em meio ao movimento dos direitos civis, veio da “soul music” para designar a alimentação dos negros americanos.

Entre as delícias, o Po’boy foi criado pelos irmãos Martin, ex-condutores de bonde elétricos que trabalharam a vida toda no ramo, mas queriam fazer algo diferente e abriram a mercearia Martin Brothers Grocery. Em 1929, durante a grande depressão americana, os condutores de bondes não estavam sendo pagos e entraram em greve. Por sua vez, os proprietários das empresas trouxeram criminosos de Nova York para conduzir os bondes.

Sexy – Po’boys Soul Food – Crédito: Thiago Lamenha.

O clima da cidade estava tenso, as pessoas passavam dificuldade e a ação gerou protestos em solidariedade aos profissionais. Qualquer bonde não conduzido por um motorista licenciado, era virado e incendiado. Em apoio a causa, os irmãos Martin anunciaram que todos os grevistas, que estivessem na frente da loja com suas licenças, seriam alimentados. “We are gonna feed our poor boys”, disseram.

Para ser economicamente viável, os irmãos procuraram um padeiro local, que era francês, e desenvolveram uma baguete grande o suficiente para ser dividida e com textura própria para receber bastante molho sem desmanchar. Inicialmente serviam recheados de batatas fritas e roast beef com gravy (molho de carne). Hoje, há inúmeros sabores.

E assim nasceu o Po’boy – alimento dos “poor boys” ou jovens pobres – que fez fama rapidamente e unia diferentes classes sociais em um único lugar, desde crianças até idosos. É muito importante na tradição local e é considerado uma iguaria. Desde 2007, a cidade homenageia com a realização do “Oak Street Po-Boy Festival”.

SERVIÇO

Nome: Poboys Soul Food

Endereço: Rua Carlos Vasconcelos 60 – Tijuca

Telefone: (21) 976038003

Horário de funcionamento: De quarta a domingo das 18 às 23h

Cartões de crédito: Amex, Master, Visa

Cartões de débito : Elo, Maestro, Redeshop e Visa Electron

Alimentação : Alelo

Entrega em domicílio/ como funciona o delivery: Pedidos através do nosso site ou pelo ifood

Site: pedir.to/poboyssoulfood

Instagram: @poboysbr

Aberto em que ano? Abrimos 2019 com participação em eventos gastronômicos/ delivery desde Fevereiro 2020

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