Dr. Elias Tanus (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa publicada no periódico Stroke, da American Heart Association, revelou que a incidência de ser ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC) é maior em mulheres jovens. Uma grande amostra aleatória de um banco de dados de sinistro foi examinada, no período de 2001 a 2014, de segurados americanos.

Os estudiosos analisaram o número de AVCs isquêmicos ou causados por coágulos com base nas internações hospitalares. Não houve diferença entre homens e mulheres entre 15 e 24 anos e aqueles que tinham 75 anos ou mais. No entanto, mulheres jovens, entre 25 e 44 anos, sofreram mais derrames do que os homens da mesma faixa etária.

Segundo os autores, existe uma sensação de “segurança” de que as mulheres não têm tantos AVCs porque o estrogênio na pré-menopausa pode ser um protetor para eventos cardiovasculares, mas essa análise prova que essa suposição é falsa.

Um outro estudo recente holandês mostrou que a incidência de qualquer AVC em jovens aumenta com a idade e é maior em mulheres do que em homens de 18 a 44 anos. Na América Latina, o AVC é a segunda principal causa de morte na maioria dos países e, à medida que a população envelhece, mais casos são previstos.AVC (Foto: Divulgação)

Um exemplo é a publicitária Raquel Malafaia, que sofreu um AVC com 29 anos, em março de 2019. “O primeiro sintoma foi uma dor muito forte, como se estivesse lá dentro do olho esquerdo. Essa dor permaneceu todos os dias durante algumas semanas, mais ou menos em um período de quase um mês. Porém, ao invés de diminuir, ela ia se agravando cada vez mais ", disse ela.

Malafaia comenta que os primeiros sintomas que apareceram foram formigamentos do lado superior direito – braço, mão, dedos, costas, bochecha e até na língua. "Resolvi falar para a minha amiga, que dividia apartamento comigo, que algo estava estranho, porém a fala me faltou. Eu estava totalmente consciente e sabendo que o meu raciocínio não estava acompanhando a minha língua". Ao chegar no hospital, o diagnóstico foi a ocorrência de cinco pequenos AVCs em um período de aproximadamente um mês. "Foram sete dias de internação e um diagnóstico um tanto quanto raro: 'Síndrome do Moya Moya'", conta ela.

Raquel Malafaia (Foto: Arquivo pessoal)

De acordo com os últimos dados do World Stroke Organization, o Annual Report 2019, a cada dois segundos alguém no mundo tem um Acidente Vascular Cerebral, 6,5 milhões de pessoas morrem todos os anos por causa de um AVC, uma em cada quatro pessoas terá um AVC ao longo de sua vida e 5 milhões ficaram incapacitados para vida toda.

O neurocirurgião endovascular Elias Tanus, à frente da clínica Stroke Rio Medical, afirma que o diagnóstico precoce é fundamental para se evitar grandes sequelas. “O resgate e atendimento precisam ser feitos entre quatro e seis horas para se ter o melhor resultado possível”, afirma o médico com mais de 10 anos de experiência na realização de cirurgias neurológicas.

Os sintomas na mulher que está sofrendo um AVC normalmente são fraqueza, dificuldade para respirar ou falta de ar, confusão, desorientação, náuseas, vômitos e alucinações. Já os sinais clássicos e característicos são rosto caído, fraqueza nos braços e dificuldade na fala.

“O AVC é uma doença crônica silenciosa, sendo extremamente perigosa, que faz anualmente um grande número de vítimas fatais e com sequelas. Queremos levar o conhecimento à população em geral de que é possível reverter esse quadro. É possível se salvar de um AVC através da observação precoce de sinais como boca torta, confusão mental, formigamento e perda de força de um dos braços, com um rápido diagnóstico e atendimento em até seis horas após o acidente vascular. O tempo e a informação são fundamentais para reverter esse quadro”, explica o neurocirurgião.

Dr. Elias Tanus (Foto: Divulgação)

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