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As mulheres normalmente nascem com aproximadamente 1 a 2 milhões de óvulos, chegando à puberdade com apenas cerca de 300 a 500 mil. A cada ciclo menstrual são perdidos em torno de 1000 óvulos, mesmo que não se faça uso da pílula anticoncepcional. Na maioria dos casos, a diminuição e o envelhecimento da reserva ovariana começa afetar a capacidade de gestação natural a partir dos 35 anos.

E com mulheres ficando grávidas cada vez mais tarde, além do fator de dificuldade normal - com a perda natural dos óvulos ao longo dos anos - existe a menopausa precoce, que pode interferir na possibilidade de se ter um filho.

Para tirar diversas dúvidas sobre a relação entre menopausa precoce e infertilidade, conversamos com os ginecologistas especialistas em reprodução humana Maria Cecília Erthal e Paulo Gallo, também diretores-médicos do Vida - Centro de Fertilidade. 

Paulo Gallo e Maria Cecília Erthal - Vida Centro de Fertilidade

Quando algumas mulheres podem apresentar a menopausa precoce?

A menopausa precoce é causada pelo envelhecimento dos ovários antes do tempo considerado normal. O processo é prematuro quando ocorre em mulheres com menos de 40 anos.

Quais são os sintomas?

I. Menstruação irregular;

II. ausência de menstruação por 12 meses seguidos;

III. ondas de calor que começam de repente e sem causa aparente;

IV. suores noturnos intensos que podem interromper o sono;

V. cansaço frequente;

VI. alterações de humor como irritabilidade, ansiedade ou tristeza;

VII. dificuldade para dormir ou menor qualidade de sono;

VIII. secura vaginal;

IX. queda de cabelos;

X. diminuição da libido.

É possível engravidar na menopausa?

Quando a mulher entra na menopausa, não é possível engravidar naturalmente, porém, durante o chamado climatério, ainda é possível que a gestação ocorra de forma natural. Podemos classificar como menopausa quando a mulher passa 12 meses sem menstruar. Geralmente o processo ocorre quando chegam entre os 48 e 51 anos de idade, marcando o fim do período reprodutivo. 

Qual tratamento é indicado para quem já entrou na menopausa ou possui uma reserva ovariana muito baixa?

Existe a opção de fazer um tratamento de fertilização in vitro com óvulos doados. As mulheres estão deixando para engravidar mais tarde, muitas vezes já com sua reserva de óvulos comprometida não só em número, mas também em sua qualidade. Para tanto, a fertilização com óvulos doados é uma opção com excelentes chances de gravidez.

O congelamento de óvulos também pode ser uma boa opção para as mulheres que pretendem ter filhos com mais idade?

Sim. O ideal é que o congelamento seja feito até os 35 anos pois, a partir dessa idade, existe uma diminuição expressiva da qualidade dos óvulos, o que pode comprometer o resultado final.

Por quanto tempo os óvulos podem ficar armazenados?

Os óvulos são tratados para que possam ser congelados e podem ficar armazenados por tempo indeterminado. Ao decidir engravidar, a mulher pode solicitar o descongelamento dos óvulos que irão passar pelo processo de Fertilização In Vitro (FIV), ou seja, serão fertilizados em laboratório e, quando for confirmada a formação dos embriões, estes poderão ser depositados no útero da paciente.

Quais os perfis das mulheres que optam pela técnica? 

1) Mulheres solteiras com pouco menos de 35 anos preocupadas com a diminuição progressiva de sua fertilidade. Esse é um dos principais motivos que levam as mulheres a procurar o congelamento de óvulos.

2) Mulheres com histórico familiar de menopausa precoce. Essa é uma indicação muito importante, principalmente para as que não pretendem engravidar antes dos trinta anos.

3) Mulheres que serão submetidas a tratamentos oncológicos. A incidência de câncer em pessoas jovens tem aumentado e, ao mesmo tempo, as terapias oncológicas têm evoluído cada vez mais. O que se observa é uma taxa de sobrevida cada vez maior. A preservação da fertilidade se tornou um procedimento muito importante nessas situações. É de extrema importância que os oncologistas ofereçam esse tratamento para os pacientes com câncer, que vão se submeter à radio e ou quimioterapia, inclusive porque a perspectiva de constituir a prole reforça para essas pessoas a esperança da cura.

Vale ressaltar que, caso a mulher desista de guardar os óvulos congelados, estes devem ser descartados ou doados de forma anônima. A doação de gametas (óvulos e espermatozoides), por determinação do Conselho Federal de Medicina, tem que ser sempre anônima.