Musa da campanha contra a endometriose, a atriz Camila Pitanga personificou há alguns anos na novela “Insensato Coração” o drama das mulheres portadoras dessa doença. Sua personagem apresentava, além da endometriose, dificuldade para engravidar, ou seja, infertilidade. A visibilidade que a atriz deu ao assunto ajudou na difusão das informações sobre a endometriose para todas as brasileiras.

Todos os dias no meu consultório uma mesma história se repete em relação aos casos de endometriose: as pacientes com infertilidade falam que nunca suspeitaram da doença, pois acreditavam que menstruar doía. Na verdade menstruar não deve doer, e se dói é por que existe alguma coisa de errado.

A pergunta é: o que é a endometriose?

A endometriose é uma das causas da infertilidade


Dentro do útero existe um tecido chamado endométrio,  conhecido como o “berço do bebê”. Em média, a cada 28 dias, esse tecido é eliminado do útero, via vagina, na forma de menstruação. Entretanto, 70% das mulheres vão ter refluxo dessa menstruação pela trompa, caindo no ovário e transbordando para dentro da pelve. 

Quando esse endométrio cai na pelve, ele não tem para onde escoar. Logo, o mesmo se acumula e começa a se desenvolver por ação dos hormônios da ovulação, dando origem à endometriose. Como a cada 28 dias ocorre um novo crescimento do endométrio, a doença passa a se espalhar causando inflamação, dor e aderências. São essas três coisas que também dificultam essa mulher a engravidar.

As aderências repuxam os órgãos e mudam a posição das trompas e ovários, dificultando tanto a subida dos espermatozoides como a coleta dos óvulos pela trompa. As substâncias que causam a inflamação também são tóxicas ao embrião. Por fim, se a endometriose formar um cisto no ovário, chamado eridometrioma, esse pode reduzir a quantidade e qualidade dos óvulos da mulher.
Apesar de 70% das mulheres terem menstruação retrógrada pela trompa, apenas 0,5 a 10% irão desenvolver a endometriose. Nas mulheres com infertilidade, a doença está presente em cerca de 25 a 45% delas.

A boa notícia e que as pacientes com endometriose e infertilidade se beneficiam muito com as técnicas de reprodução assistida. Em especial, a fertilização in vitro. Nessa técnica, retiramos o óvulo e fertilizamos com o espermatozoide fora do corpo da mulher, e então colocamos o embrião formado de volta no útero. Com essa técnica conseguimos ultrapassar grande parte dos obstáculos causados pela endometriose.

Na realidade, os últimos estudos científicos mostram que as chances de uma mulher com endometriose engravidar por fertilização in vitro é praticamente a mesma que uma paciente sem endometriose e que também use a técnica.