Remontagem da mostra "Queermuseu" no Rio: mais de R$ 1 mi arrecadados via financiamento coletivo. Foto: divulgação

Desembarca no Rio de Janeiro, em 18 de agosto, a exposição "Queermuseu: Cartografias da Diferença da Arte Brasileira", mostra de temática LGBT+ que gerou polêmica durante sua exibição em Porto Alegre, no ano passado, sendo cancelada em seguida. A remontagem, que vai ocupar as Cavalariças da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV), contará com 223 obras de 84 artistas reconhecidos nacional e internacionalmente, como Adriana Varejão, Alair Gomes, Alfredo Volpi, Cândido Portinari, Efrain Almeida, Guignard, Leonilson, Lygia Clark, Pedro Américo, Sidney Amaral e Yuri Firmeza.

A curadoria de Gaudêncio Fidelis reuniu trabalhos de coleções públicas e particulares, datados de meados do século XX até hoje. A proposta é apresentar a diversidade estética e geracional da produção artística no país dentro de uma abordagem exclusivamente queer, inédita por aqui. A reabertura na capital carioca é resultado de uma bem-sucedida campanha de financiamento coletivo, lançada em 31 de janeiro e coordenada pelo diretor da EAV, Fábio Szwarcwald. Em 58 dias, foi arrecadado um total de R$ 1.081.156, através de 1.724 doações provenientes de 1.659 colaboradores.

A campanha incluiu algumas iniciativas históricas, que impulsionaram o movimento, como um show de Caetano Veloso contra a censura, no último dia 15 de março, e o Levante Queremos Queer, evento que atraiu mais de 2 mil pessoas ao parque num único sábado, em fevereiro deste ano. Segundo a organização, o valor captado vem sendo investido na operação e na montagem da exposição, na produção de um ciclo de debates e na adaptação museológica das Cavalariças.

Obras de Adriana Varejão, Cândido Portinari e Guignard estão na seleção. Foto: divulgação

“Reabrir Queermuseu é reparar, em parte, o dano causado ao patrimônio cultural e artístico brasileiro, ocasionado pelo seu fechamento precoce e autoritário e o processo difamatório que se seguiu. A reabertura é também um ato político contra a censura e em favor da liberdade de expressão e de escolha”, acredita o curador, mestre em Arte pela New York University e doutor em História da Arte pela State University of New York.

Em paralelo à mostra, como programa público, a EAV promove o Fórum Queermuseu. As mesas públicas devem acontecer sempre às terças, quintas e sábados, durante toda a temporada, que segue até 16 de setembro. Entre os temas já pautados, estão “a judicialização da arte”, “crenças e manifestações religiosas’, “o caso Queermuseu: entre a liberdade e a censura”, “arte e política”, “teoria queer” e “fake news”. 

"Discussões em torno das manifestações culturais periféricas, das diversas identidades de gênero e orientações sexuais pretendem reforçar o movimento contra a censura e a intolerância, além de reconhecer a pluralidade artística brasileira", afirma Ulisses Carrilho, curador do EAV Parque Lage. 

Na programação, estão previstas ainda apresentações musicais durante todos os fins de semana da exibição. 

Nino Cais, obra sem título. Foto: divulgação