Apto Mooca - Bruno Moraes (Foto: Luis Gomes)

O ano 2020 nem terminou e assertivamente podemos afirmar dificilmente será esquecido. Além das preocupações relacionadas à saúde, a pandemia evocou mudanças no comportamento humano e uma nova relação com o morar. Passar mais tempo em casa e implementar o home office – que para muitos passou do provisório para definitivo –, são alguns dos motivos que movimentam a cena do mercado imobiliário e de construção no Brasil. Segundo pesquisa recente divulgada pelo Imovelweb, a busca por imóveis com espaços para escritório aumentou 235%, bem como aqueles com área verde registraram uma elevação superior a 200%. “Seja para adaptar a casa atual ou na mudança para um imóvel que atenda o novo momento de vida, os brasileiros passarão pelo processo de reforma. Muitos estão em busca por mais conforto em casas e apartamentos com 3 dormitórios para reservar um deles ao trabalho remoto”, afirma Bruno Moraes, arquiteto à frente do escritório que leva seu nome.

Com esse fluxo, o próximo passo é pensar em reformas – que para muitos o processo ainda é associado ao quebra-quebra sem fim, surpresas inesperadas e preocupações com o orçamento apertado. “Entretanto, com um projeto acertado e um planejamento bem executado, essas sensações incômodas ficam no passado”, diz Bruno. Definir as etapas, especificar e orçar corretamente os materiais antes de começar a obra propiciam um fluxo tranquilo para o cliente e para o profissional de arquitetura à frente da obra. “Com tudo bem avaliado e combinado, não tem onde errar”, assegura.

O arquiteto ou engenheiro também é o responsável por emitir o RRT (Registro de Responsabilidade Técnica) ou o ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), indispensável para a obra em apartamentos. O documento é necessário em função da nova Norma de Reformas da ABNT (NBR 16.280), que estabelece a atuação de um profissional responsável pelo projeto e que fiscalize a execução da obra. “A medida visa a segurança de todos”, destaca o arquiteto.

Apto Ipiranga - Bruno Moraes (Foto: Luis Gomes)

Como começar?

Depois de contratado, o profissional apresenta um projeto arquitetônico pensado sob medida e realizado de acordo com as características do imóvel e as expectativas/pedidos dos moradores. O alinhamento após a visualização da planta baixa e do 3D é primordial para realizar os ajustes, seja em relação à estética ou ao orçamento, evitando mudanças no decorrer da obra.

Com a aprovação dos proprietários, o planejamento é decorrente da visão global que Bruno e sua equipe realiza ao escolher os materiais. Caso o orçamento se mostre acima do budget indicado pelo morador, o arquiteto trabalha para aparar as arestas. “Nunca alteramos os insumos, mas podemos substituir por outro revestimento mais em conta, porém de qualidade assegurada”, revela Bruno.

Como uma orquestra – onde cada músico tem o seu momento –, o cronograma sucede o fluxo. Contabilizar as datas e a duração de cada atividade, bem como coordenar os períodos de entrega dos materiais, o número de funcionários e o desembolso financeiro traz segurança para o trabalho coordenado pelo profissional de arquitetura e tranquilidade para o cliente que sabe, com antecedência, tudo o que acontece.

Fluxo financeiro

Mesmo com tudo bem planejado, é preciso ter uma verba extra para gastos imprevistos, como quebra de materiais e outras intercorrências que podem acontecer, principalmente na reforma de imóveis antigos. “Ter uma margem extra no orçamento nos ajuda a resolver questões atípicas, como o rompimento de uma tubulação de água ou mesmo uma lata de tinta que inesperadamente cai no chão”, detalha Bruno, que nos contratos assinados com seus clientes costuma separar uma porcentagem pequena do valor total da obra para essas intercorrências.

Mão de obra adequada e Gerenciamento eficiente

Para Bruno Moraes, não adianta prosseguir tão bem nas fases anteriores e não dedicar atenção para a contratação de mão de obra especializada e o profissional responsável pelo gerenciamento. “Além de administrar problemas, trazer soluções é o nosso papel”, descreve o arquiteto.

O escritório desenvolveu um aplicativo onde a equipe responde por toda a gestão da obra, assim como cuida do controle financeiro. Com ele, o cliente tem acesso ao cronograma com todas as etapas de serviços, acompanhando cada passo e observando a transparência do que será executado dia após dia. Através desse aplicativo, os coordenadores das obras solicitam os materiais, conforme a necessidade, e possibilita cruzar com o valor dos itens descriminados no contrato. O objetivo é gerenciar em tempo real a fim de evitar surpresas no final e ter controle de todos os processos.

Administração precisa do budget da obra (Foto: Pexels)

Dicas para economizar

A integração de ambientes, marcada pela ausência de paredes, e o estilo industrial, que evidencia a laje em concreto e dutos aparentes, entre outros atributos, contribuem para uma obra com orçamento mais enxuto | Foto Luis Gomes

Quem disse que economizar com os profissionais "mais em conta" é a maneira mais eficiente para poupar recursos financeiros durante a obra? O famoso ditado "o barato sai caro" causa dissabores nessa equação.

Para Bruno Moraes, a melhor forma de poupar está ligada à redução de custos na compra de materiais de qualidade. Dessa forma, realizar orçamento, procurar por promoções e relacionar opções A e B se revelam como métodos efetivos para orçamentos mais enxutos. “O cliente pode se encantar por um porcelanato, que por sua vez está com um valor bem acima de outro com as mesmas características técnicas e aparência semelhante. E isso deve ser pesado na balança”, pondera. Em outras situações, uma cozinha não ter a parede revestida de ponta a ponta. Para atenuar os custos, uma alternativa é aplicar o revestimento em meia parede e finalizar com a pintura – um recurso que agrega modernidade com um custo inferior.

Como diminuir o prazo de entrega?

A realização de uma obra sempre vem acompanhada da pressa. Imóvel vazio e a reforma de todos os cômodos de uma vez são processos que influenciam na rapidez e na redução dos custos, pois a maioria dos funcionários de obra cobram por dia trabalhado. “Todavia, caso não seja viável, pois muitas vezes o cliente 'mora' dentro da obra, o cronograma faz um escalonamento que seja viável para todos”, finaliza Bruno.

 

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