Tulio Dek - instalação “Beyond the trees”. (Foto: Divulgação)

No dia 25 deste mês, o Jardim do Torel, em Lisboa, vai inaugurar uma grande intervenção do artista brasileiro Tulio Dek (1985, Goiânia). É a primeira vez que um artista realiza um projeto dentro de um parque urbano público em Portugal. Com uma imensa área verde, instalado em três patamares no alto de uma das sete colinas de Lisboa, o Jardim do Torel é um mirante e permite uma vista privilegiada da cidade. Ao lado do elevador mais antigo da cidade, um de seus lagos foi transformado em “praia” no verão. 

O curador do Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, Rui Afonso Santos, afirma que a intervenção de Tulio Dek além de ser “única no seu gênero, por sua qualidade, é extremamente rara no panorama artístico português”.

Tulio Dek fez uma intervenção nos três planos do parque, utilizando o percurso do concorrido Jardim do Torel, para sensibilizar os visitantes, principalmente os jovens, para a proteção ao meio ambiente. Ao longo da primeira área verde, o artista instalou 500 tocos de árvores decepadas, com altura entre 50 e 85cm, e diâmetros variáveis de 20 a 50 centímetros. O público caminhará pelos troncos queimados. Os troncos, oriundos de bosques queimados, foram cedidos pelo governo de Portugal. 

Tulio Dek - instalação “Beyond the trees”. (Foto: Divulgação)

“Vejo os jovens mergulhados em mídias sociais, alienados, e quis levar para a dimensão do real um alerta para a importância da preservação do planeta”, conta o artista. Nascido em Goiânia, Tulio Dek passou a infância em contato com as matas. 

“Os protestos são em sua maioria feitos pela internet, e acabam por ter um alcance efêmero. Ao caminhar por entre os troncos calcinados no Parque do Torel, as pessoas vão sentir, vão imaginar, o que é uma floresta devastada. Vão lidar com uma destruição real na sua frente”, diz. “Se não protegermos a natureza, vamos proteger quem? O que está acontecendo no mundo?”, indaga.

Continuando o percurso, que leva a um patamar abaixo na encosta, o público verá uma fonte com água tingida de preto, em alusão a vazamentos de petróleo. Atrás da fonte, um grande luminoso azul traz a frase “I can’t stop these tears from falling” (“Não consigo impedir essas lágrimas de caírem”).

Perto da fonte será instalada uma cabana de madeira, grafitada pelo artista, como um abrigo, um local de acolhimento, onde estarão sacos com sementes de nove árvores nativas de Portugal. O público poderá levar punhados dessas sementes para plantarem em outros locais. “É como uma volta, em que se pode devolver árvores ao país”, observa Dek.

Tulio Dek - instalação “Beyond the trees” (Foto: Divulgação)

Rui Afonso Santos, curador do Museu Nacional de Arte Contemporânea, de Lisboa, escreve no texto que acompanha a exposição-intervenção que Tulio Dek, “artista contemporâneo multidisciplinar, pintor, escultor, performer e ativista, é autor de uma obra artística única e singular, diluindo os parâmetros entre alta e baixa cultura. A sua pintura, em contínua transformação, é fortemente gráfica e interventiva, e nela slogans eficazes e fundamentais de cariz sempre humanista coexistem com pictogramas simplificados, num mix distinto, de grande qualidade visual”. 

O curador observa ainda que “este contraste entre o natural e o edênico, que o próprio jardim-miradouro do Torel recria, e o artificial da actual e selvática cultura do consumo e do desperdício, conscientizará os visitantes para a necessidade de adotar condutas responsáveis”.

SERVIÇO

Jardim do Torel, Lisboa

25 de outubro a 25 de novembro de 2020

Curadoria: Rui Afonso Santos

[Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa]

Apoio: Junta da Freguesia de Santo Antônio, Lisboa e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa]

Entrada gratuita

 

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