Anderson Thives (Foto: Divulgação)

"Eu quero mesmo é brincar, neste momento em que a vida me deu essa chance". É com esse astral que o artista plástico Anderson Thives aproveita o tempo livre da quarentena e tira do papel um projeto que foi criado há dois anos: a websérie 'Cosplay de quê?', feita para o YouTube. Cosplay, termo proveniente do inglês e formado pela junção das palavras costume (fantasia) e roleplay (brincadeira ou interpretação), tem a ver com a reprodução de um personagem para entretenimento. 

Anderson Thives bateu um papo com a gente e contou como colocou em prática diversas habilidades que desconhecia, durante a produção de seu primeiro seriado.

Anderson Thives (Foto: Divulgação)

Deloox - Você estreou o quadro "Cosplay de quê?", que recria obras de pintores famosos em um formato mais descontraído. Como surgiu essa ideia?

Anderson Thives - Esse canal é um desejo muito antigo que eu tinha, onde pudesse falar de arte, entre outras coisas relacionadas, de um jeito descontraído, divertido e que não fosse pesado, porque tudo que a gente vê na internet, hoje em dia, está em forma didática, é cansativo, e muitas vezes as pessoas não têm paciência para assistir. 

Já estou com este projeto há dois anos, mas eu não sabia como fazer, precisaria de ajuda, mas a quarentena veio, de certa forma, para me ajudar - na contramão de tudo o que está acontecendo - a adiantar este projeto. Era algo para o final do ano, mas aconteceu de eu conseguir fazer tudo sozinho de casa. 

Eu tive que aprender a editar com a ajuda da internet, buscando vídeos no YouTube, baixando aplicativos, e isso dá um trabalho grande pois também preciso fazer uma pesquisa em relação ao artista que estou falando, fazer as gravações, editar, postar e divulgar.

A ideia de fazer o cosplay surgiu por acaso, brincando em casa, achando que poderia recriar algumas obras de arte. Aí eu pensei por que não fazer em vídeo, onde pudesse falar de arte e também ter esse entretenimento ao refazer a obra. Pesquisei muito para saber se já não existia nenhuma ideia parecida e então o “Cosplay de quê” virou o nome do canal. Graças a Deus, deu super certo e estou adorando fazer. 

Deloox - Como é feita a seleção dos convidados e escolha dos quadros a serem recriados?

Anderson Thives - Na verdade, não tem uma regra para a escolha dos convidados. A ideia principal era ter gente cool e bacana que fosse ligada à arte, então tem jornalista, gente da moda, cantor, mas o foco não é a pessoa ser super famosa. O convidado só precisa entrar na onda do canal, gravar videozinhos, tirar fotos legais e vestir a camisa.

Quanto à seleção das fotos, eu dou duas sugestões apenas, do mesmo pintor, para poder fazer o link, de acordo com a vibe da pessoa. Aí ela escolhe e refaz. Dessa forma, fica mais divertido e mais dinâmico. Assim foi feito com a Paloma Bernardes e vai acontecer com os próximos.

Reprodução Instagram

Deloox - Neste período de isolamento, como você consegue fazer a seleção dos acessórios/objetos que o artista vai utilizar para reproduzir as obras diretamente da casa deles? 

Anderson Thives - Funciona com os convidados da mesma forma que acontece comigo. Eu penso na obra e como eu faria para reproduzir. Se na obra tem um chapéu, seria muito incrível se eu tivesse um igual, mas, se eu não tenho, como poderia fazê-lo? 

No caso da obra do Salvador Dali, eu queria que o cabelo lembrasse muito o da obra, mas eu tenho uma regra: não usar peruca ou maquiagem, então teria que ser com objetos mais criativos. Como eu quis fazer na cozinha, foi uma super coincidência ter uma caixa de pizza e recortá-la no formato do cabelo do Dali. Então, a ideia é ser criativo e não só pegar um objeto que eu tenha e fazer.

Deloox - Após fazer os programas de pintores famosos como Pablo Picasso e Salvador Dali, você pode adiantar o que vem por aí?

Anderson Thives - Já gravei 25 cabeças de cosplay, mas posso adiantar que tem Frida Kahlo, Van Gogh, Leonardo da Vinci, Jacques-Louis David, Tarsila do Amaral, entre outros. É realmente uma pincelada bacana dos maiores pintores, inclusive de alguns que não são tão famosos que eu admiro muito e gostaria de mostrar para as pessoas. 

Estudando, estou voltando para a época de faculdade, em que houve aquele momento que precisei escolher entre bacharelado e licenciatura. Em licenciatura, eu precisaria dar aulas, algo que nunca curti. Mas, agora, voltei a estudar coisas que não lembrava, outras que estou descobrindo, e o maior aprendizado de toda essa quarentena, desse projeto, é retomar esses estudos e me sentir super bem em aprender “novas velhas coisas”. A mente fica mais disposta e estou achando incrível poder resgatar isso em mim e poder passar para as pessoas de forma mais bem humorada.

Reprodução Instagram

Deloox - Como você observa essa integração de arte x universo digital? É algo que você pretende levar para suas próximas exposições (físicas), após a quarentena?

Anderson Thives - A integração de arte x universo digital é o futuro e também o que já está acontecendo, só que não é a minha realidade. Esses vídeos, os cosplays, são uma coisa. Já a minha vida como artista plástico e colagista é outra história. 

Eu até cito uma releitura ou outra que fiz e acho legal mencionar, mas não tem a ver com nenhuma outra exposição que eu vá fazer. Isso é um adendo, um Anderson que está brincando de youtuber e sem pretensão nenhuma de levar isso pra vida ou ser famoso com isso. Eu quero mesmo é brincar, neste momento em que a vida me deu essa chance. Apesar de ser uma brincadeira séria, já que estudo e tenho um comprometimento com o que vou falar, tem fofocas por trás do mundo dos pintores, que acho super interessante contar, como qual movimento ele participou, falar das obras principais e um pouco da vida íntima deles, que é o motivo principal do programa. 

Dependendo, uma exposição com as fotos dos cosplays pode acontecer. Por quê não? Mas não tem a ver com o meu trabalho específico.

Deloox - Trabalhos em vídeo demandam elaboração de roteiro e edição. Você encontrou talentos seus que desconhecia antes da quarentena?

Anderson Thives - Eu realmente aprendi na raça, com uma vontade imensa de querer fazer. A cada episódio, invento algo novo e quero descobrir como se faz, logo descubro que é necessário utilizar outro aplicativo, já que não existe um que faça tudo. E aí, sim, descobri que não tenho muita paciência (risos), confesso. Mas aprendi e está rolando. Tive que descobrir um outro universo, mas não que seja um talento, foi algo para "me virar" mesmo. No futuro, se Deus quiser, preciso de um editor para me ajudar, porque é difícil e demanda muito tempo, mas também é prazeroso, não tenho do que reclamar.

Assista ao vídeo do programa: