Josephine Baker (Foto: Lu Valiatti)

A história da dançarina, cantora, atriz, ativista e humorista Josephine Baker (1906-1975), norte-americana naturalizada francesa que conquistou o mundo com sua arte e talento, volta a ser contada no Rio. Em terceira temporada no Teatro Maison de France, no Centro, “Josephine Baker – A Vênus Negra” ficará em cartaz a partir desta quinta (12) – sextas, sábados e domingos – agora com ainda mais pompa: já foi indicada aos prêmios Shell (melhor atriz; autor e figurino), Cesgranrio (direção musical e melhor atriz em musical), e Botequim Cultural (autor e melhor atriz em musical) pelo primeiro semestre de 2017, prêmio APTR (melhor atriz) pelo segundo semestre de 2017, e aos prêmios  Broadway World (atriz revelação) APCA (Melhor Atriz) e Aplauso Brasil (Melhor atriz, autor e espetáculo).

A volta ao Rio e, especialmente, ao teatro Maison de France, é motivo de grande alegria e entusiasmo de todo o elenco: “nosso espetáculo tinha a intenção de resgatar a memória de uma história que precisava ser contada, mas o resultado foi muito maior do que o esperado. Fizemos verdadeiros amigos, dentro da equipe e com o público, no Rio, em SP e BH por onde passamos com casa lotada!”, ressalta a premiada atriz Aline Deluna, que vive a personagem principal, e completa: “eu diria que mais do que uma representação teatral, o espetáculo é uma apresentação de pessoas que se unem pela diferença e pelo desejo de viverem livres e felizes".

Josephine Baker

O “mito de Cinderela” era como Josephine Baker via sua vida: uma menina negra, pobre, nascida em St. Louis, Missouri / EUA, num período de intensa discriminação e segregação racial, que se tornou uma das artistas mais célebres de sua época. Com sua dança selvagem e as caretas que fazia em cena, e posteriormente com seu surpreendente refinamento, tornou-se uma aclamada cantora francesa, mas sem nunca abandonar seu entusiasmo e sua voracidade em cena, valendo-se sempre do humor e do deboche para conquistar e alegrar seu público.

É essa mulher e artista à frente de seu tempo que o espetáculo “Josephine Baker, a Vênus Negra”, com texto de Walter Daguerre e direção de Otavio Muller, busca apresentar ao público. No papel principal, Aline Deluna, além de cantar e dançar, se parece fisicamente com Baker. Acompanhando a atriz, o trio de jazz formado pelos músicos Dany Roland (bateria e percussão), Christiano Sauer (contrabaixo, violão e guitarra) e Jonathan Ferr (piano e escaleta). Através da dramaturgia, da música ao vivo, dança e humor, “Josephine Baker - a Vênus Negra” aborda questões sociais e culturais em discussão ainda nos dias de hoje, como a discriminação racial, a censura dentro da arte, o valor do saber acadêmico versus o conhecimento prático e a indagação de qual é o papel da arte e do artista frente à sociedade.

Percorrer a vida de Josephine Baker é fazer uma viagem no tempo, quando o jazz, até então “música de negros”, passa a ser reconhecido como arte e absorvido com entusiasmo pelos brancos; é acompanhar, pelo olhar de quem viveu, a busca por seu lugar e acabou por reinventá-lo diante da sociedade.