Fachada da Casa Roberto Marinho, no Cosme Velho. Foto: divulgação

Duas exposições fazem as honras da temporada de abertura da Casa Roberto Marinho, no Cosme Velho, histórica mansão neocolonial da família Marinho, que viu passar por suas instalações inúmeros expoentes da arte brasileira. Erguida em 1939 com inspiração no Solar de Megaípe, construção pernambucana do século XVII, a propriedade serviu de morada para o jornalista Roberto Marinho de 1943 até a sua morte, em 2003. 

A primeira mostra, batizada de "Modernos 10 - Destaques da Coleção", ocupa o andar superior da casa principal com 124 obras da Coleção Roberto Marinho, assinadas por dez artistas de destaque do modernismo brasileiro dos anos 1930 e 1940: Tarsila do Amaral, Lasar Segall, Cândido Portinari, José Pancetti, Ismael Nery, Alberto Guignard, Djanira, Di Cavalcanti, Milton Dacosta e Burle Marx.  

O andar térreo recebe a exposição paralela "10 Contemporâneos", que ilustra a intenção do projeto curatorial de dialogar com a produção artística atual. Os artistas Anna Bella Geiger, Carlos Vergara, Daniel Senise, José Bechara, Lena Bergstein, Luiz Áquila, Luiz Zerbini, Malu Fatorelli, Roberto Magalhães e Wanda Pimentel foram convidados a criar gravuras em torno da temática “casa”, para homenagear o novo espaço. No mesmo andar, estão ainda uma escultura de Frans Krajcberg e trabalhos de Cristina Canale, Luiz Zerbini e Orlando Mollica, que homenageiam a paisagem carioca, ao lado de litogravuras de Jean-Baptiste Debret.

Obras de Burle Marx na exposição 'Modernos 10'. Foto: divulgação

O novo instituto cultural, com arquitetura projetada por Glauco Campello, acrescentou ao terreno de mais de 10 mil metros quadrados os prédios de reserva técnica e uma área educativa. A proposta, segundo a organização, é "promover o conhecimento através da arte e da educação" e funcionar como um centro ativo de referência e pesquisa em modernismo. Com mais de 1.200m² de área expositiva, o projeto conta ainda com sala de cinema, com acessibilidade e capacidade para até 34 pessoas, além de cafeteria e uma unidade da Pinakotheke, livraria especializada em publicações de arte.

Amigo de Pancetti e Portinari, então jovens promissores, Roberto Marinho costumava receber visitas deles e de outros artistas no escritório ou em reuniões em casa. A seleção das obras sempre foi dirigida pelo gosto pessoal do jornalista e inclui, em sua maioria, companheiros de geração, de vários matizes ideológicos e que buscavam a formação de uma nova mentalidade tanto na arte quanto no país.

“Foram muitas as histórias que ouvimos do nosso pai sobre sua amizade com Pancetti e as recepções organizadas no Cosme Velho para apresentar suas obras; as visitas ao ateliê de Portinari e o processo de criação de muitos dos seus quadros; as tintas enviadas a Guignard para que não poupasse cores nas suas telas...”, relembram Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, no texto de apresentação da mostra "Modernos 10".

Jardim com obras de Carlos Vergara e Ascânio MMM. Foto: Jaime Acioli

O acervo reunido ao longo de seis décadas também recebeu trabalhos de estrangeiros, como Chagall e Vieira da Silva, mas a ideia não era perder o foco original. Aquisições representativas do Abstracionismo Informal (das décadas de 50 e 60), como Antonio Bandeira, Iberê Camargo, Manabu Mabe e Tomie Ohtake, se destacam no conjunto de 1473 peças cadastradas, que inclui pinturas, esculturas, gravuras e desenhos.

Segundo o curador, o arquiteto e antropólogo Lauro Cavalcanti, “este acervo nos permite um olhar mais denso sobre a produção dos anos 1930/1940, período precipitadamente descrito como ‘cristalização pictórica’ ou ‘mero exercício de um modernismo tardio’, muitas vezes subestimado frente aos valorizados avanços dos anos 1920 e 1950. Nossa era convida a revisões de muitos julgamentos e esta exposição é uma excelente oportunidade de redescoberta e avaliação desses dez magníficos artistas”.

O jardim da propriedade também está aberto a visitação e é uma atração à parte. Projetado por Burle Marx, com espécies da flora tropical, é um prolongamento da Floresta da Tijuca, onde podem ser vistos trabalhos de Ascânio MMM, Bruno Giorgi, Carlos Vergara, Maria Martins, Raul Mourão e Beth Jobim. 

SERVIÇO 

Instituto Casa Roberto Marinho

Rua Cosme Velho, 1105

Rio de Janeiro – RJ

Tel: (21) 3298-9449