Exposição de Mateu Velasco celebra novo espaço da Galeria Movimento

Quarta-feira 12 Agosto 2020 / Comportamento

Mateu Velasco (Foto: Felipe Diniz)

“A narrativa através da imagem é a semente do meu trabalho.” A afirmação é do artista visual Mateu Velasco, que abrirá a individual Infinitivo, no dia 24 de agosto, na Galeria Movimento, em Copacabana. Mas o que pauta a curadoria de Sonia Salcedo del Castillo é, na verdade, um questionamento existencial do artista, que exige desacelerar o pensamento e as mãos, rumo ao infinito das coisas, dos acontecimentos, da criação: “De que imagens consigo me lembrar?”.

A exposição reúne cerca de 15 trabalhos produzidos desde o ano passado, a partir de diferentes meios e suportes, como pintura, desenho, fotografia e bordado sobre madeira, tecido ou cerâmica, além de recortes manipuláveis. A mostra celebra o novo espaço ocupado pela galeria de Ricardo Kimaid, no Shopping Cassino Atlântico. A visitação pode ser presencial, sob agendamento prévio, ou através de tour virtual 360º, que permite interatividade e gera informações detalhadas sobre as obras.

Mateu Velasco - Apneia, 2020 (Foto: Felipe Diniz)

A pesquisa artística recente de Velasco gira em torno da retratação do tempo. Não o passado, nem o futuro, mas o mais inconstante dos tempos: o presente. Obras como Transitório, Certezas efêmeras, Tempo em trânsito e A espera de um dia que não chega, produzidas em 2020, deixam clara a tensão entre as diversas camadas que permeiam um tempo composto por rupturas e impermanências.

A partir da pandemia, Velasco expandiu seu campo de investigação para a questão da memória. E na escavação de suas lembranças mais primárias, descobriu que são todas essencialmente imprecisas: “é sempre uma narrativa construída, relativa aos afetos despertados”, analisa. O artista encontrou arrimo valioso na obra do poeta Manoel de Barros, que diz que “quem descreve não é dono do assunto, quem inventa é”. A partir desta chancela libertadora, Mateu passou a inventar suas memórias.

Mateu Velasco - Isca artificial, 2020 (Foto: Felipe Diniz)

Mas um paradoxo científico também o mobilizou: “descobri que o campo onde a memória é armazenada em nosso cérebro é o mesmo que projeta o futuro. Essa capacidade humana de imaginar coisas que ainda não aconteceram, de planejar, criar objetivos e ir em direção a eles é o que nos move. Se você não consegue projetar um futuro, perde expectativa de vida. É interessante pensar que o mecanismo de imprecisão - que pode trair o passado - é o mesmo que nos impulsiona na criação de um por vir”, reflete.

Para Sonia Salcedo, que assina a curadoria com a assistência de Rafael Peixoto, na produção recente de Mateu há uma vontade poética tão intensa, que parece almejar o infinitivo. “À maneira de quem reflete sobre questões filosóficas fundamentais, como a de ser e de estar no mundo, seus trabalhos sugerem driblar a duração sequencial peculiar a Chronos, em favor da indeterminação temporal de Kairós. Em lugar da finitude do tempo entrópico e linear, Velasco indica desejar, portanto, a infinita experiência do momento oportuno”, comenta.

Mateu Velasco - Tempo em Trânsito, 2020 (Foto: Felipe Diniz)

Desenhista nato, Mateu arriscou seus primeiros traços ainda na infância e, desde então, o desenho permeia sua obra. Aliás, é da infância que surgem as memórias das situações mais banais - como ele define - que hoje habitam seu acervo imagético íntimo. Os almoços de sábado na casa dos avós, no Leme, zona sul do Rio, são um disparador frequente da memória de um Mateu menino, que preferia estar na praia. As telas “Sábado em família” (2020) e “Para ver com os olhos” (2020) evocam essa arquitetura afetiva em que a matéria poética é tentativa de elaboração de um tempo passado.

Colecionador de imagens cotidianas, Velasco transforma seu mapa mental em mapa visual e registra quase tudo que vê. Seus desenhos podem partir das curvas do rio que margeia seu ateliê, na Gávea, onde objetos descartados (como bolas de futebol, garrafas vazias e até um volante de fusca) se acumulam aleatoriamente. Sob a perspectiva do artista, até o lixo dos vizinhos é fonte de inspiração: compactado, para caber num saco, cria formas escultóricas e conta histórias sobre consumos, avessos e humanidades.

Mateu Velasco - Um dia qualquer, 2020 (Foto: Felipe Diniz)

Na série “Pequenos Achados” (2020), ao adotar a cerâmica como suporte, o artista revela os diferentes estratos do tempo que compõem a matéria. Já na série “Gavetas” (2020), que articula recortes de papel, fotografias, fios de algodão e gelatina, Mateu mistura e reaproveita objetos acumulados pelo exercício coletor que é base de sua poética, para criar uma obra autoral. As “gavetas” manipuláveis lidam com o imprevisível e, a qualquer movimento do espectador, revelam composições infinitas e imprecisas. Assim como as memórias. São as múltiplas camadas e permanências de passados que conferem espessura ao presente do artista.

Velasco iniciou a trajetória artística como ilustrador e muralista, em 1999. Já expôs seus trabalhos em São Paulo, Rio de Janeiro, Los Angeles, Nova York, Seattle, Paris, Milão e Budapeste, entre outras cidades do mundo.

Por: REDAÇÃO DELOOX

Petra Gold exibe espetáculo com participação de Simone Cadinelli

Quarta-feira 05 Agosto 2020 / Comportamento

O projeto Teatro Já transmitiu mais uma peça diretamente do Teatro Petra Gold, no Leblon, na terça (7). Desta vez, o espetáculo escolhido foi "Leonilson - todos os rios levam à sua boca", com Arlindo Lopes e direção de Mariana Vianna. Para dar um toque diferente nesta experiência digital, as apresentações vão ter um convidado especial a cada semana. A primeira escolhida foi Simone Cadinelli.

Veja os cliques de Cristina Granato.

Arlindo Lopes

Marina Vianna e Arlindo Lopes

Arlindo Lopes e Simone Cadinelli

Equipe

'Leonilson - todos os rios levam à sua boca'

Por: REDAÇÃO DELOOX

Cinemateca libera programação de agosto para se divertir em casa

Segunda-feira 03 Agosto 2020 / Comportamento

Foto: Reprodução/Pixabay

Durante o mês de agosto, a Cinemateca do MAM vai trazer novos títulos para sua programação online, enquanto o auditório Cosme Alves Netto permanece fechado em razão da pandemia.

Nesta perspectiva, três documentários serão exibidos: "Uma questão de fé", de Élber Xavier, "Animal indireto", de Daniel Lentini, e "Edna", de Edna Toledo. O curta documental de Xavier registra a celebração da festa de Iemanjá no Rio de Janeiro, numa trajetória que se inicia no Mercadão de Madureira e segue até a praia de Copacabana. Já os filmes de Lentini e Toledo (que serão apresentados em uma sessão dupla) refletem sobre a questão da saúde mental e sobre o cinema como uma possível forma de cura. Temas ainda mais importantes no contexto atual.

Na sequência, dois curtas que desdobram as comemorações dos 65 anos da Cinemateca - e foram produzidos por lá - entram em cartaz: a ficção "Valentina" e o documentário "Juliana".

Já "Me cuidem-se! (parte VI)", de Bebeto Abrantes e Cavi Borges, é a última parte de um filme-processo que vem sendo desenvolvido nos últimos meses durante a crise sanitária do COVID-19. Com um sentimento de urgência, busca criar um registro sobre o impacto da pandemia e do isolamento social na vida de diferentes pessoas em diversas regiões da cidade do Rio de Janeiro.

Cacaso na corda bamba (Foto: Reprodução/Curta)

Três filmes do coletivo Anarca Filmes, cuja produção audiovisual será toda depositada na Cinemateca do MAM, entram na programação. "Migues", "Waleska Molotov" e "Bad Galeto: no Limite da Morte" são três obras que representam a experimentação, o engajamento, a criatividade e combatividade do trabalho desenvolvido pelo coletivo que reúne artistas e pensadoras LGBTQI+. 

Por fim, o público poderá assistir em casa a sessão especial em parceria com o Recine - Festival Internacional de Cinema de Arquivo. Criado em 2002, o Recine é um parceiro regular da Cinemateca e tem por objetivo divulgação de obras realizadas com materiais de arquivo e a valorização do trabalho de preservação do patrimônio audiovisual. Na ocasião, o título escolhido foi o doc "Cacaso na corda bamba", de José Joaquim Salles e Ph Souza, vencedor do festival em 2016.

Para fazer escolher os seus favoritos e criar sua própria programação, acesse o link http://www.vimeo.com/mamrio.

Por: REDAÇÃO DELOOX

Katie van Scherpenberg é homenageada em mostra na Zagut

Quinta-feira 30 Julho 2020 / Comportamento

Alexandre Murucci 15 x 45 (Foto: Reprodução)

Na segunda (3/8), o Espaço Zagut vai abrir a exposição virtual "Katie: uma homenagem a Katie van Scherpenberg", no site da galeria. A inauguração acontece de forma digital e em dose tripla: às 17h no Instagram, às 17h30 no Facebook e às 18h no Zoom.

Com organização de Isabela Simões e Augusto Herkenhoff, a mostra comemora o aniversário da artista, que é em agosto. O projeto reúne depoimentos dos professores José Maria Dias da Cruz, Luiz Guilherme Vergara e Ronaldo Macedo, além de admiradores. Vale ressaltar que Herkenhoff também foi aluno de Katie durante cinco anos e essa foi uma das motivações para criar esta exposição.

Quem acessar o site para conferir as obras vai encontrar materiais de 125 artistas, como Roberto Tavares, Laura Burnier, Yolanda Freire, Teresa Coelho, Moema Branquinho, Lucio Volpini, Fernando Brum, Ivan Cardoso, Esther Barki, entre outros.

Clara Cavendish 55 x 39 (Foto: Reprodução)

Por: REDAÇÃO DELOOX

XV RioHarpFestival traz concertos virtuais para o Rio de Janeiro

Quinta-feira 30 Julho 2020 / Comportamento

Foto: Divulgação

Nem mesmo a pandemia mundial vai impedir que o XV RioHarpFestival aconteça em 2020. Adiado de maio para agosto e adaptado aos moldes do tempo em que vivemos, o evento vai dedicar um mês inteiro ao instrumento.

Com apoio do Ministério do Turismo - Secretaria Especial de Cultura e patrocínio da Eletrobras, 35 músicos de 27 países, incluindo brasileiros, vão se apresentar em 62 concertos virtuais no Rio de Janeiro e 10 em São Paulo. Inserido em Música no Museu, nos 23 anos de atividades ininterruptas de janeiro a dezembro de cada ano, o projeto alcança o Brasil de norte a sul.

Dentre as novidades, os harpistas Claire Le Fur, que filmou apresentações no fundo do mar do Caribe, Jacques Vandelvede, da Bélgica, e uma atração especial da África do Sul, que vai incluir música europeia em seu repertório.

Todos os concertos serão virtuais e divulgados através de mídia social. A Rádio Música no Museu também fará a transmissão do festival. 

Por: REDAÇÃO DELOOX