Apaixonado por vinhos, o ator português Paulo Rocha foi escolhido para divulgar a atividade vitivinícola da Península de Setúbal, de sua cidade natal. Foto: divulgação

Ator que conquistou o Brasil e foi conquistado pelos brasileiros, o português Paulo Rocha aproveita os laços para divulgar por aqui um dos tesouros de sua cidade natal, Setúbal, conhecida por sua vocação vitícola. Embaixador da marca "Vinhos da Península de Setúbal", ele foi recentemente entronizado confrade do Moscatel de Setúbal, que comemora 110 anos.     

"Para mim, é um motivo de enorme alegria e responsabilidade ter um vinho que é a bandeira da nossa região pelo mundo e me deixa mais feliz ainda porque é um vinho da região onde eu nasci", diz ele, que viveu o general Avilez, em "Novo Mundo", da TV Globo, e atua no Brasil desde 2012, quando estreou em "Fina Estampa".  

Segundo o presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS), Henrique Soares, Rocha foi escolhido, em 2015, para participar do projeto que divulga os vinhos no país por conta de sua ligação especial com o lugar. “É alguém que conhece o nosso terroir, origem e, principalmente, nossos vinhos. Ficamos contentes em apresentá-lo como verdadeiro representante da marca”, afirma.

E o ator fala mesmo como um bom conhecedor. Ele destaca as suas preferências: “Temos castas como Castelão, que é a uva tinta mais importante da região; Touriga Nacional, Aragonez e Fernão Pires e internacionais como Syrah e Cabernet Sauvignon. Os vinhos feitos por lá são excelentes, precisam ser mais conhecidos no Brasil, especialmente, o que considero uma verdadeira joia: o Moscatel de Setúbal. Gosto de beber o moscatel como aperitivo, antes da refeição, usar como ingrediente principal de coquetéis ou mesmo para acompanhar doces de ovos ou chocolate, que casam muito bem”.

Rocha foi entronado recentemente confrade do Moscatel de Setúbal. Foto: divulgação

Leia abaixo uma entrevista exclusiva que o Deloox fez com Paulo Rocha sobre sua paixão por vinhos e seus próximos projetos no Brasil. 

DELOOX: O que representa ser nomeado um dos confrades do Moscatel de Setúbal?

PAULO ROCHA: Para mim, é um motivo de grande alegria, porque é um vinho que representa a atividade da nossa região, que transporta o local aonde eu nasci pelo mundo afora. E fazer parte desse núcleo de pessoas que, de alguma forma, ajudam a divulgar o vinho, é um motivo de muita alegria. Sobretudo pelas pessoas que me entronizaram confrade, pelas quais eu nutro um afeto e um carinho muito grande, pela forma como elas têm me considerado ao longo dessa nossa parceria. 

DELOOX: Você também é um dos embaixadores do vinho no Brasil. Como é a sua relação com o vinho? Tem alguma história bacana para contar sobre isso? Fale sobre como começou a sua relação com a bebida e como é o seu dia a dia com ela.

PAULO ROCHA: Acredito que a minha relação com o vinho vem sofrendo um processo de refinamento. Quando era mais jovem era menos sensível a todas as características que a bebida oferece, desde o buquê ao paladar, a textura... Enfim, todas essas características que nos levam a qualificar um vinho e a ter uma afinidade maior com certo tipo e menor com outro. A minha relação com a bebida começou socialmente com os colegas. Confesso que o início foi estranho, porque eu achava amargo, mas achei que de alguma forma fazia parte da relação junto aos amigos, mas nunca foi uma relação de grande proximidade. Aliás, o que se mantém até hoje é a gente usar o vinho ou qualquer outra bebida como polo aglutinador, quando se está em casa ou com os amigos, por exemplo.

DELOOX: Você já fez vários trabalhos no Brasil. Quais são seus próximos planos? Tem algum projeto em vista depois da novela "Novo Mundo"? 

PAULO ROCHA: No momento estou com um projeto que me agrada muito, uma adaptação do livro do Edney Silvestre, “Se eu fechar os olhos agora”, romance que ganhou o prêmio Jabuti de 2010. É uma adaptação muito bem escrita pelo Ricardinho Linhares, com direção do Manguinha (Carlos Manga Júnior). Nós construímos uma equipe incrível. Está sendo um processo muito agradável, enriquecedor. Estou bem feliz!

DELOOX: Qual a sua relação com o Brasil? O que o país tem em comum com Portugal? Curte viver entre os dois países?

PAULO ROCHA: O Brasil acabou se transformando na minha casa. Eu já estou aqui há seis anos e, gradativamente, o país foi ocupando, de certa forma, o lugar de casa na minha vida. Tirando meu pai, a minha família está toda aqui. Então, eu não podia estar melhor no Brasil. Os dois países têm muitas coisas parecidas, muitos costumes que são os mesmos. Pode parecer uma expressão clichê essa de que somos “países irmãos”, mas é bem isso mesmo. Nós temos muitos traços culturais similares. Eu vivo muito mais aqui do que lá então, acredito que não existe isso de viver entre os dois países (risos).