O centenário instituto de artes culinárias francesas Cordon Bleu acaba de abrir as portas no Rio de Janeiro, após ter feito sua estreia brasileira em São Paulo, onde instalou uma sede na Vila Madalena em maio deste ano. Com 35 escolas espalhadas por 20 países e frequentadas por mais de 20 mil alunos anualmente, a rede criou a filial carioca para ser, inclusive, referência no mundo: ela foi escolhida para abrigar um projeto inédito na história da marca, um curso técnico voltado a estudantes de baixa renda.  

Cordon Bleu carioca é a primeira da rede a abrigar curso técnico para estudantes de baixa renda. Foto: divulgação

Na cidade, a iniciativa tem à frente a diretora geral do Cordon Bleu Brasil, a portuguesa Sofia Mesquita, chef formada pela própria instituição na França, e conta com consultoria do chef francês Roland Villard, que esteve à frente da cozinha do restaurante Le Pré Catelan, no Hotel Sofitel, em Copacabana, onde conquistou uma estrela Guia Michelin. Villard foi um dos grandes incentivadores do projeto recém-inaugurado e passa a integrar o conselho da Le Cordon Bleu no Rio de Janeiro.

O time de professores inclui mestres como Philippe Brye, que foi chef executivo do grupo Troigros e chef confeiteiro dos hotéis Le Meridien e Sofitel, antes de abrir a sua própria confeitaria, a Traiteurs De France, e João Paulo Frankenfeld, que passou pela cozinha de casas premiadas na França, como o Guy Savoy, três estrelas Michelin em Paris, e o restaurante de Gordon Ramsay, de duas estrelas Michelin, no Hotel Trianon Palace, em Versalhes.

A estrutura do campus na capital carioca, de 1,6 mil m², foi desenvolvida de acordo com o padrão das escolas internacionais da rede. Oito cozinhas, além de salas de aula, poderão ser usadas pelos alunos durante ensinamentos práticos e teóricos, feitos com materiais didáticos originais da sede francesa. Entre os cursos oferecidos, estão o de Cozinha (Diplôme Cuisine), com duração de nove meses, o de Confeitaria (Diplôme Pâtisserie), com duração de nove meses, e o curso completo, que engloba os dois anteriores (Grand Diplôme), com duração mínima de nove meses.

A portuguesa Sofia Mesquita, formada pela instituição em Paris, comanda a filial no Rio e Janeiro. Foto: divulgação

O novo campus também é o único do Brasil a oferecer o Programa CordonTec, um projeto piloto implementado pela primeira vez em uma escola Cordon Bleu, voltado para a aprendizagem baseada na experiência profissional de “Aplicação em Restaurante”, com duração de um ano. A escola reserva, inclusive, parte das vagas do programa para bolsistas indicados pela Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) e selecionados por Le Cordon Bleu Rio de Janeiro. 

"O cenário gastronômico no Rio vai ser outro. Vamos ter uma leva de profissionais altamente qualificados. Muitos deles não teriam condições de bancar os custos de uma escola com o nível do Cordon Bleu. Na França, cursos de cozinha são gratuitos, qualquer pessoa pode aprender e crescer independentemente do seu nível social. Joël Robuchon ou Paul Bocuse, por exemplo, eram de famílias simples, sem grande poder aquisitivo. E fizeram história", diz Roland Villard.

A proposta da entidade parisiense para a cidade inclui ainda uma espécie de restaurante/café-escola, que tem previsão de abertura ao público para o ano que vem. Segundo Sofia Mesquita, o espaço será "a chance para quem não é aluno da instituição, mas tem o sonho de conhecer de perto e viver um pouco da experiência Le Cordon Bleu, de visitar o local e provar receitas que são fruto da prática dos estudantes da casa".  

Roland Villard: 'O cenário gastronômico no Rio vai ser outro. Vamos ter uma leva de profissionais altamente qualificados'